quarta-feira, 21 de outubro de 2015

A perda das cores no meio automotivo.

 
O colorido transito da Avenida Paulista dos anos 70.
O preto do asfalto e o cinza do concreto e, algumas poucas áreas verdes acaba gerando uma paisagem monótona em meio a uma metrópole como São Paulo. Não sendo o bastante, essa falta de cor é agravada pelos carros, há tempos está enraizado no pensamento do brasileiro de comprar carro para os outros e, não para ele, isso tem um grande reflexo nos modelos mais vendidos, no tipo de carroceria que faz mais sucesso e claro nas cores em que esses carros recebem a pedido do consumido.
  Como tudo que ronda o mercado automotivo no Brasil, a escolha da cor é mais um fator comercial. O consumidor compra um carro novo, mas antes mesmo de fechar o negócio, ele não pensa no prazer que o novo veículo pode proporcionar a ele, os custos durante o financiamento e a garantia, na verdade ele, antes mesmo de comprar esse bem, o brasileiro esta pensando lá na frente  na hora de trocar o carro, como o modelo será aceito no mercado e, quais cores são mais fáceis de vender.
  A redução da paleta de cores é uma imposição das montadoras que o mercado acatou de maneira irreversível, pense no seguinte, um estoque reduzido e, menos opções de personalização geram menos custos, consequentemente aumenta-se a margem de lucros, não existe outra explicação para isso, as cores preta e prata foram ligadas ao status de modelos médios, essa estratégia levou com que carros menores também seguissem o caminho onde menos cor é mais valorizado, o sóbrio é o elegante e ninguém precisa de personalidade, afinal é apenas um monte de aço, assim pensam aqueles que não veem nos carros um objeto de paixão e extensão da personalidade. O mercado é feito pelo consumidor e não pelas empresas, portanto nesse quesito eles fizeram uma bela jogada mercadológica que foi acatada pelo público de forma quase que natural.
Ausência de cores, acentuam o preto do asfalto e o cinza do concreto.
  Muitos entusiastas compartilham fotos antigas de um país onde o transito era mais colorido, tons de azul, verde, amarelo, laranja, entre outras cores alegravam as ruas antigamente, as pessoas compravam o carro na cor que elas queriam, sem medo da desvalorização, simplesmente era o prazer de comprar um carro que realmente era extensão de sua personalidade, entre os anos 60 e 70, a Volkswagen contava com mais de 10 cores em seu catalogo, todas eram vistas nas ruas em boa quantidade, atualmente além dos conhecidos tons de cinza, preto, branco e vermelho, a montadora disponibiliza o azul night, amarelo solaris e laranja canyon, sendo as duas últimas especiais assim como o azul silk que é exclusivo do Fox entre os populares, o modelo que também conta com o laranja sahara em sua versão Cross, mas são cores que raramente vemos nas ruas, tudo se resume ao cinza, prata, preto, branco e na melhor das hipóteses um vermelho quebra a monotonia.
  Uma estratégia que vem sendo muito adotada nos últimos anos, é as cores especiais de lançamento, o Ônix repetiu o laranja do Vectra GT, o Uno surgiu com tons quase que fluorescentes de verde e amarelo, além do laranja nemo. Até o fim dos anos 90, existiam boas opções de carros em tons de verde, azul e vinho, no meio da década seguinte pra cá, as cores se tornaram escassas, o consumidor passou a desejar sobriedade excessiva e, hoje vivemos nessa ditadura de cores que deixam a vida nas grandes cidades ainda mais monocromáticas.
  

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