sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Gol GT, o início de uma linhagem de sucesso.


  Em 1985, o Gol com motor boxer arrefecido a ar passava a ser exclusivo da versão BX, as versões L e LS, passavam a vir com o mesmo motor de arrefecimento liquido já usado no Voyage e Parati, sedã e perua derivados do Gol respectivamente e, no Passat, esse motor era o MD 270 na versão 1,6 litro, os outros carros usaram também uma versão 1,5 litro, nessa época o Gol e a picape Saveiro ficavam apenas com o boxer originário do Fusca. O novo motor dava ao carro o desempenho do qual sempre fez falta, também conhecido como Torque, trazia uma taxa de compressão mais elevada, novos pistões e comando de válvulas, o carburador era de corpo duplo e ignição eletrônica de série, entrega 81 cv de potência e 12,8 kgf.m de torque. Uma opção era o cambio 3+E, onde a quarta marcha servia de sobremarcha, onde a intenção era manter a velocidade em giros baixos, o E era exatamente de economia, mas o comprador podia ainda optar pelo cambio convencional de 4 marchas.
Gol GT 1984, primeiro Gol com arrefecimento líquido foi o primeiro esportivo, nesse ano apenas faróis de longo alcance, os de neblina chegariam no ano seguinte.
  Antes mesmo do motor arrefecido a liquido chegar as versões comuns do Gol, no ano anterior, 1984 chegava ao mercado em março a versão esportiva GT, uma concorrente para o recém lançado Ford Escort XR3. O GT contava com um motor de 1,8 litro a álcool ou gasolina, no mês seguinte esse motor equiparia também o Santana, mas no Gol GT o comando de válvulas era o mesmo utilizado pelo Golf GTI da época, entregava 99 cv e 14,9 kgf.m, o carro pesava apenas 930 kg, a velocidade máxima era de 180 km/h e a aceleração dos 0 aos 100 km/h era feita em 9,7 segundos.
  A esportividade era presente por onde se olhava o carro, grade na cor da carroceria, faróis de longo alcance, spoiler dianteiro na cor preta, assim como os para-choques, escapamento com dupla saída, o ruído era apenas 2 decibéis abaixo do permitido por lei, no vidro traseiro o adesivo GT era inspirado no usado no Scirocco GT de segunda geração, a frente era diferente das demais versões do Gol, os piscas ficavam ao lado dos faróis como no Voyage e na Parati, algo que foi adotado posteriormente nas versões comuns, exceto BX. As rodas de alumínio, conhecidas atualmente como Snow-flakes, eram de 14 polegadas e vinham calçadas com pneus 185/60.
Gol L e LS ganhavam conjunto ótico igual ao do GT e motor a água MD-270, posteriormente chegaria a toda linha o consagrado AP.
  No interior a esportividade ficava por conta dos bancos Recaro com laterais envolventes e ajuste no apoio das coxas, relógio digital no console central, instrumentos com grafia vermelha que incluía um pequeno conta-giros e um confuso vacuômetro e pelo volante de apenas 350 mm de diâmetro emprestado do Passat TS. A suspensão dianteira trazia molas com calibração mais firme, estabilizador de maior diâmetro e amortecedores de maior carga em ambos os eixos, as pinças de freio eram maiores e, ao contrário do que se espera em um esportivo, a direção era menos direta. O cambio de 4 marchas mostrava-se ineficiente para a potência e o torque que aparecia em rotações mais elevadas, foi adotado um cambio de 5 marchas com um escalonamento adequado que logo foi adotado pelo restante dos derivados da linha Gol.
Interior do Gol GT, bancos Recaro e na primeira série volante emprestado do Passat TS.
  Em 1985, a chegada do motor refrigerado a água dividiu opiniões entre os consumidores, o nível de ruído era obviamente menor no L e LS frente ao BX, mas o ruído do boxer para muitos dava a impressão do carro acelerar mais rapidamente, fato desmistificado pelo cronômetro, além disso, a curva de torque do motor arrefecido a ar era entregue em rotações mais baixas o que realmente transmitia uma sensação de agilidade. Mas o MD trazia desvantagens claras em relação ao antigo motor vindo do Fusca, por ser mais alto o estepe era obrigatoriamente alojado na lateral do porta-malas, o motor era mais pesado, 124,5 kg ante os 98 kg do boxer que ainda melhorava o comportamento em curvas por ter um centro de gravidade mais baixo, o BX era um carro pelado, não tinha nem como opcional itens como luzes de ré, para-sol direito, fechadura na maçaneta do lado do passageiro e ventilação interna. Foi o último ano que o motor a ar foi oferecido. Ainda em 85, o GT ganhava faróis de neblina abaixo do para-choque dianteiro, conferindo um visual ainda mais agressivo ao modelo.
Gol BX, simplicidade ao extremo, os últimos suspiros do motor boxer.
  Apesar dos motores entregarem um desempenho satisfatório pra o consumidor brasileiro, estavam defasados em relação aos motores usados pela Volkswagen na Alemanha, o 1.8 nacional usava as mesmas bielas do 1.6, o que fazia o motor vibrar muito, Em Agosto de 1985, chegava ao Brasil os motores AP que usavam o mesmo bloco e cabeçote tanto na versão 1.6 quanto 1.8. Bielas mais longas traziam um funcionamento mais suave, logo ganhou o apelido de Bielão, é um motor ainda hoje apreciado para adeptos da preparação por ser durável e ter uma boa durabilidade. A versão 1.6 entregava bons 90 cv e 12,9 kgf.m na versão a álcool e 80 cv e 12,4 kgf.m na versão a gasolina. O 1.8 com bielas mais longas rendia nas versões a álcool   94 cv e 15,3 kgf.m e 86 cv e 14,6 kgf.m a gasolina.
Agosto de 1985 marcava a chegada dos consagrados motores da família AP.
  O GT também recebia novidades no motor, a versão a gasolina não era mais oferecida e, embora a montadora declarasse que a potência havia se mantido em 99 cv, há quem diga que ela chegava facilmente aos 105 cv, já que na época carros de até 99 cv pagavam uma alíquota menor de IPI, imposto sobre produtos industrializados. O banco do motorista ganhava ajuste de altura e, o volante era substituído pelo icônico Quatro-Bolas de 380 mm. 1986 marcou o fim da versão BX para o Gol e da S para Saveiro, não havendo mais modelos da família com motor arrefecido a ar, foi também o último ano do GT, o ano seguinte marcaria uma nova reforma visual para o Gol, mas esse assunto fica para semana semana que vem.
Volante quatro-bolas, item desejado por uma geração de fans da VW.

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