quarta-feira, 18 de março de 2015

Volkswagen Santana/Passat B2


  Em 1979, a Audi que foi adquirida pela Volkswagen em 1962, apresentava a segunda geração do Audi 80 denominada B2, em novembro de 1980, estrearia a na Europa a segunda geração do Passat que se baseava no Audi 80. Era um hatchback disponível nas versões de 3 e 5 portas como era na geração anterior. Em fevereiro de 1981, chega a perua Variant e o Sedan que recebeu o nome Santana, ambos disponíveis apenas com 4 portas. O nome Santana tem como origem o vento que sopra nas montanhas de Santa Ana no sudoeste Califórnia vindo do litoral, era comum a Volkswagen batizar seus carros com nome de ventos, o próprio Passat e Scirocco tem a mesma origem, assim como mais recentemente foi com o Bora.
Passat B2 Hatchback, versão 5 portas, disponível também com 3 portas.
  Em 1984, o Santana chegava ao Brasil. Um novo segmento a ser explorado pela Volkswagen em nosso país, ele concorria com o Del Rey, Monza e o grande Opala, o critério daquela época era diferente, contava mais o nível de equipamentos do que o tamanho do carro em si. A versão brasileira do carro foi fruto do projeto BEA 112, com custo de desenvolvimento em torno dos 50 milhões de dólares, deu fruto a uma inédita versão de 2 portas, carros nessa configuração era a preferência nacional na época. O carro brasileiro trazia ainda tanque de 75 litros, 15 litro a mais que no carro alemão, esse aumento era para aumentar a autonomia nos modelos com motor a álcool, os faróis eram tradicionais sem os auxiliares integrados, esses vinham instalados abaixo do para-choque dianteiro.
  O Santana era oferecido em 3 versões de acabamento: CS (Confort Silver), CG (Confort Gold) e CD (Confort Diamond), essa última trazia rodas de alumínio, lavadores nos faróis e luz de neblina traseira como itens de série, os opcionais ficavam por conta da direção hidráulica, transmissão automática de 3 velocidades, ar-condicionado e o toca-fitas Bosch Rio de Janeiro, item muito cobiçado posteriormente por ladrões por não contar com sistema antifurto.
Propaganda de lançamento do Santana em 1984, versões de 2 e 4 portas.
  Os primeiros Santanas não contavam com o branco em suas opções de cores, segundo o departamento de marketing da marca, o branco não valorizava os detalhes do carro, causa disso foram os testes de rodagem feitos no nordeste brasileiro com todos carros na cor branca que passaram despercebidos por quase todos que passavam pelo comboio. Quem mudou esse história foi Bob Sharp, atual colunista do Autoentusiastas, na época Sharp era supervisor de competições da Volkswagen e em 1985, requisitou um Santana CD 4 portas branco com interior marrom, uma bela combinação, após muita conversa ele conseguiu o carro na cor branco paina, o resultado foi tão bom que passou a ser oferecida oficialmente a qualquer comprador.
A direita, o primeiro Santana branco que pertenceu a Bob Sharp quando era supervisor de competições da VW.
  Com interior amplo e bem acabado, principalmente no CD, o Santana trazia primazias como cinto de segurança de três pontos no banco traseiro, exceto central, apoio de braço central, ajuste de altura do banco do motorista,e comandos elétricos para os vidros, abertura do porta-malas e tanque de combustível, contava ainda com antena elétrica e trava central pneumática que foi substituída por um sistema elétrico mais confiável em poucos anos. O painel trazia leds no lugar das lampadas piloto e, um econometro dotado de uma espécie de shift-light mostrava o consumo instantâneo e o momento ideal para as trocas de marchas, essa luz não fez sucesso, pois era um incomodo em uma condução mais esportiva e logo foi suprimida pelos usuários.
Econometro do Santana CD, um incomodo na condução mais esportiva.
  Em 1987, chegava a reestilização do Santana, a mudança mais marcante eram os para-choques envolventes, as versões ganhavam novas nomenclaturas: C, CL, GL e GLS, o mesmo valia para a perua Quantum. A GL era voltada para a esportividade, trazendo as mesmas rodas do Gol GT e Passat Pointer, mas sem o fundo preto, a Quantum ainda recebia pintura preto fosco no bagageiro ao invés do prateado convencional. A GLS, topo de linha trazia como característica marcante os faróis auxiliares junto a grade e não mais na parte inferior do para-choque. No interior requinte, luzes de leitura, chave com iluminação e espelho iluminado no para-sol do passageiro. A versão C era disponibilizada apenas com motor a álcool e cambio de 4 marchas, não trazia nenhum opcional.
Santana 1987, para-choques envolventes e apelo esportivo na versão GL.
  Na linha 1988, novos itens de conforto chegavam ao modelo, vidros elétricos com função 1 toque e temporizador que era aplicado também a luz de cortesia. O GLS trazia novas rodas inspiradas no modelos Audi e de limpeza mais fácil do que as antigas raiadas. Maio de 1990, a VW lança o Santana 2000, com 18 cv e 2,1 kgf.m a mais do que o motor 1.8, então o carro ganhava folego para enfrentar o Monza 2.0. A potência era de 112 cv, o torque ficava nos 17,5 kgf.m na versão a álcool, a velocidade máxima era de 187 km/h e as retomadas, já que a relação de marchas curtas era mantidas, o motor 2.0 nacional contava com bielas curtas, o que conferiam uma certa aspereza em seu funcionamento.
Santana GLS, faróis auxiliares junto da grade e rodas inspiradas nos carros da Audi.
  O Santana mais marcante da "primeira" geração era o EX, ou Santana Executivo, uma série limitada com motor 2.0 equipado com a injeção analógica Bosch LE-Jetronic vinda do Gol GTi, a potência bruta era de 125 cv, mas líquidos eram 114 cv, nessa época a Volkswagen usava a artimanha da potência bruta para fazer o Santana "mais" potente que o concorrente, o Monza 500 E.F. que chegou ao mercado semanas antes. Oferecido apenas nas cores preta, azul e vinho, trazia diferencias em relação ao GLS, aerofólio traseiro com brake-light integrado, grade igual ao dos últimos modelos alemães, para-choques com pintura parcial na cor da carroceria, brilhante no preto sem pintura, lanternas fumê, antena de teto, frisos e emblemas eram na cor cinza e não cromado, além das rodas raiadas BBS que podiam receber pintura na cor dourada. No interior, bancos Recaro revestidos em couro, volante de menor diâmetro também revestido em couro, assim como o pomo da alvanca de câmbio, a iluminação dos instrumentos era vermelha. No EX, vieram ainda os esperados discos de freio ventilados, custava 60% mais que um GLS e era o carro de linha mais caro do Brasil àquela altura. Em 1991, chegava um novo Santana, mas esse assunto fica para uma próxima.
Santana Executivo e seus detalhes marcantes.

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