segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Fiat Tempra


   O Tempra cujo nome significa temperamento em Italiano foi objeto de desejo da classe média brasileira no início da década de 1990, chegando ao Brasil quase que exatamente um ano após o seu lançamento no mercado europeu. No país a tarefa do primeiro sedã médio da marca italiana após sua chegada ao país no ano de 1973.
  O carro logo virou sonho de consumo de grande parte da classe média, era mais moderno que seus concorrentes já consagrados no mercado eram eles o Chevrolet Monza, versão modificada do Opel Ascona de terceira geração, o famoso “Tubarão” só foi vendido no mercado nacional. Outro concorrente de peso o Santana da Volkswagen, carro médio de grande sucesso, porém aquela altura o projeto de ambos haviam envelhecido e ficava evidente a modernidade do Tempra, inclusive pela oferta de equipamentos e pelo design cujo os vidros rentes a carroceria conferiam um coeficiente aerodinâmico de apenas 0,32 Cx, mais alto que os 0,28Cx do carro italiano graças a carroceria mais distante do solo no nacional. Outro concorrente o Ford Versailles era lançado quase em conjunto com o Fiat, porém nada mais era do que uma versão do Santana com a marca Ford em tempos da holding entre a empresa alemã e americana conhecida por Autolatina.
  Internamente o Tempra se distanciava de seus concorrentes, conseguia acomodar 5 adultos com relativo conforto, alguns comandos ficavam fora do alcance das mãos do motorista mas nada que tirasse a notoriedade daquele veículo completamente novo no mercado nacional, até mesmo o conjunto mecânico era inédito.
  A história do Tempra porem esteve longe de ser uma maravilha, o carro apresentou diversos erros na execução da tropicalização, o banco traseiro era fixo pois a suspensão traseira deveria ser mais robusta do que a do carro europeu, mas as coisas se agravavam no quesito mecânico. O motor de 2litros de origem argentina e com duplo comando no cabeçote contava com 8 válvulas, um comando era responsável pelas válvulas de admissão e o outro pelas de escape, o projeto desse motor datava dos anos 1970, fora usado nos Fiat Ritmo e italiano e no Hermano Regatta, era um motor moderno para os padrões brasileiros, os últimos carros a terem duplo comando e cabeçote de fluxo cruzado foram os Alfa Romeo que haviam saído de linha na década anterior. No momento em que os concorrentes ofereciam injeção eletrônica multiponto, o Fiat contava com carburador o que tornava seu desempenho antiquado e as normas exigiam o uso de catalisador, sacrificando ainda mais o desempenho do carro que chegava da imobilidade aos 100 km/h em 12,28 segundos, marca modesta no segmento.
  A combinação carburador/catalisador, não foi a das melhores, os odores provenientes do excesso de combustível graças a falta de um sistema de correção de oxigênio, o cheiro desagradável lembrava ovo podre, na verdade era gás sulfúrico. O motor do carro nacional com essa configuração rendia 99cv de potência e um torque 16,4kgfm, não era um motor fraco, mas para o peso de 1250 kg era insuficiente o funcionamento do motor era áspero, algo inexistente no Tempra SW e no Tipo, pois ambos utilizavam árvores de contra balanço, o que mostra que o a inferioridade dos automóveis nacionais em relação aos vendidos no restante do mundo não vem de hoje. Além do motor inadequado o cambio era extremamente longo, ótimo em rodovias mas um desastre no trânsito urbano, as respostas de aceleração eram lentas em decorrência disso e os arranques em subidas mais íngremes pediam aceleração exagerada, em poucos meses o problema foi resolvido reduzindo as relações do diferencial de 3,56:1 pra 3:73:1 porém a nova configuração só era executada caso o proprietário desejasse.
  Apesar de suas falhas o Tempra foi um salto na precisão e suavidade nos engates do cambio algo até então muito criticado em relação a marca italiana no Brasil, os semieixos de mesmo comprimento  uma novidade bem vinda em carros com conjunto motopropulsor transversal trazia um ganho no comportamento direcional e nas acelerações. Porem a suspenção traseira carecia de uma melhor calibração, por vezes a traseira perecia desgarrar em curvas, comportamento que não condiz com um sedã familiar, não comprometia a segurança e era mesmo apenas uma sensação de sobre esterço que na verdade não existia.
  Em 1992, um ano depois do lançamento no mercado nacional a Fiat precisava de adaptar sue produto ao gosto do mercado e foi lançada a versão 2 portas, hoje a situação se inverte, raros modelos são oferecidos nesta configuração. No caso do Tempra o resultado foi interessante a carroceria ganhou ares de cupê. Em 1993, um novo motor agora 16 válvulas na verdade o mesmo 2.0 com novo cabeçote, o ganho de potência foi de 28cv, totalizando 127cv declarados, alguns testes feito por publicações na época informavam algo em torno de 134cv, o que enquadraria o Tempra em uma alíquota maior de IPI na época calculado pela potência sendo o limite de 128cv para pagar menos, anteriormente o valor era de 99cv. A aceleração de 0 a 100 km/h era feita agora em 9,8 segundos e a velocidade máxima era de 202 km/h. O torque subia para 18,4kgfm, 4kgfm a mais que o 8 válvulas, porém o torque máximo só estava disponível às 4750 rpm, a melhoria em baixa rotação era muito sensível e a aspereza de funcionamento permanecia.
  A configuração de 16 válvulas estava presente apenas na versão topo de linha Ouro, a versão trazia rodas de 14 polegadas eram de alumínio usinado e vinham com pneus 195/60. Os freios usavam disco nas quatro rodas e contavam com sistema antitravamento o conhecido ABS, os bancos eram revestidos em couro e contavam com ajuste elétrico, retrovisor interno fotocrômico e externos com lentes azuladas antiofuscantes, os vidros tinham comando elétrico inclusive no vidro traseiro basculante no caso da versão de 2 portas. A direção ficava mais rápida e pioravam a sensação  de sobre esterço.
  Em 1994, a concorrência traz um concorrente potencial o Vectra. No carro da GM a versão GSi com motor 2litros 16 válvulas de 150cv davam um banho de eficiência diante o motor semelhante utilizado no carro da Fiat que pegando carona no lançamento do primeiro carro turbo de fabrica o Uno 1.4 Turbo i.e. preparou para o Tempra como modelo 1995 a versão Turbo. O Tempra Turbo 2.0 i.e. contava com a potência de 165cv, mesma potência do Omega 3.0, o motor era um 8 válvulas que recebia um turbocompressor Garret com pressão de 0,8 kg/cm² e contava com intercooler. A velocidade máxima declarada pela fábrica de Betim era de 220 km/h, dez à mais do que o Omega, a velocidade nunca foi atingida em um teste da imprensa. A aceleração até os 100 km/h era feira agora em 8,2 segundos, o torque máximo atingia os 26,5kgfm e aparecia a 3 mil rotações por minuto, mesmo com um diferencial mais longo e a demora da resposta da turbina era mais ágil que o 16v. O motor turbo chegaria ao 4 portas apenas em 1996 na versão Stile.
  O turbo trazia um acabamento externo diferente com rodas de desenho mais agressivo, aerofólio com luz de freio integrada esses detalhes davam ao carro um ar mais esportivo. A suspensão contava com diversas melhorias técnicas, porem se estendeu a parte visual por ser mais baixa e na dianteira a cambagem sem um pouco mais negativa. No interior ar condicionado de controle automático de temperatura, antena integrada o vidro traseiro, controle dos vidros com temporizador, sensor antiesmagamento e função de um toque. No painel destacava-se o computador de bordo de 7 funções, porém uma delas substituía o hodômetro parcial.
   No final de 1995, a versão perua chega ao Brasil importada da Itália, o motor de funcionamento mais suave por conta das árvores de contrabalanço era o mesmo utilizado no Tipo, assim como a suspensão mais refinada que melhorava muito o comportamento do carro em curvas, melhorias que nunca chegaram ao sedã.
  Apesar de ter vários problemas o Tempra foi o sedã mais bem sucedido da Fiat no Brasil, o carro reunia sim características atrativas, foi sonho de consumo de muita gente, porém sua manutenção requeria cuidados muitas vezes negligenciados não só pelos donos mas também pela rede autorizada, hoje é raro ver um em boas condições e o mercado de peças é escasso até 1998, foram vendidas 204.795 unidades, no mesmo ano o Tempra deu definitivamente o seu lugar ao Marea com o qual conviveu praticamente um ano, o Tempra a essa altura sentia os sinais do tempo e a concorrência aumentou e contava com candidatos mais modernos, o Tempra sem dúvidas já é um clássico nacional e talvez seja o mais bem sucedido sedã médio da Fiat, mesmo tendo passado mais de 20 anos...


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