quarta-feira, 13 de julho de 2016

História ilustrada: Ferrari 288 GTO


  Nunca é fácil falar em Ferrari, é uma daquelas marcas que não simplesmente uma marca, é uma paixão, legiões de fãs ao redor do Mundo tentam preservar de alguma forma a tradição da marca, boa prova disso é a falta de SUVs ou veículos de 4 portas em sua gama de produtos que não se restringe apenas a carros ou sonhos, a Ferrari também é uma grife que vende de roupas a perfumes.
Ferrari Store, mais que um fabricante de automóveis, uma grife.
  A 288 GTO pode ser considerada a primeira super Ferrari da história, o seu nome na verdade é uma sigla, 2,8 litros, 8 cilindros no caso em V e as letras, Gran Turismo Omologato. A 288 foi produzida entre os anos de 1984 e 1987, no total de 272 unidades, a homologação se deu pois estava nos planos da marca participar do Grupo B de Rally , fato que ocorreu em apenas 3 etapas antes da FIA acabar com a divisão pelos frequentes acidentes que vitimavam pilotos e expectadores.
Uma rara foto da 288 em ação no Grupo B de Rally, do qual participou apenas de 3 etapas.
  Para a época o desempenho da 288 GTO era insano, o motor V8 de 2,8 litros, instalado na posição central-traseira,  não era um V8 qualquer, com 4 válvulas por cilindro era alimentado por uma dupla de turbo-compressores IHI e injeção Magneti Marelli, tecnologia de Fórmula 1, entregava a potência de exatos 400 cv a 7000 rpm e o torque de 50,6 kgf.m a 3800 rpm. O baixo peso de 1160 kg garantiam o bom desempenho, os 100 km/h chegavam em apenas 4 segundos, com 15 segundos atingia-se os 200 km/h dos 306 km/h de velocidade máxima.
Visão do cofre do V8 bi-turbo, um intercooler para cada caracol. talacrest.com
  Ainda mais exclusivo era o 288 GTO Evoluzione, com apenas 5 unidades fabricadas, a Evoluzione tinha estilo próprio, apesar do estilo não tão belo quanto o da versão original, a versão contava com melhorias na aerodinâmica e na mecânica, além do peso reduzido para 940 kg onde foi mantido apenas o básico para guiar o carro, receita repetida na sucessora F 40. A GTO Evoluzione podia alcançar a velocidade máxima de 362 km/h, segundo dados não oficiais, apenas 3 unidades da 288 GTO Evoluzione sobreviveram ao tempo, sem dúvidas uma verdadeira raridade.
Evoluzione, não tão bela, porém mais veloz. symbolicintl.com

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Cultura & Comportamento: A Porsche Na Fórmula 1


carthrottle.com

  A Porsche é uma das mais emblemáticas marcas de veículos esportivos, fundada em 1931 em Stuttgart, a companhia pertencia a Ferdinand Porsche, um dos idealizadores do Fusca, e seu filho Ferry. No início o principal produto da marca, o 356 utilizava o motor Volkswagen boxer de 4 cilindros com diversas melhorias, sobretudo no balanceamento do conjunto rotativo do motor, no sistema de alimentação e lubrificação. O motor boxer acompanha a Porsche até os dias de hoje, mas são motores mais tecnológicos e com arrefecimento liquido, porém com uma forte ligação com os modelos do passado.
Porsche 356, Ferdinand Porsche e seu filho Ferry, ao fundo é possível ver 2 Fuscas. auto.howstuffworks.com/
  A história da Porsche na Fórmula 1 começa no ano de 1961 com o 718, nas mão dos pilotos Dan Gurney, Hans Herrmann e Jo Bonier, Gurney conquistou o segundo lugar em três Grandes Prêmios (França, Itália e EUA), conquistando assim o quarto lugar no Mundial de Construtores para a equipe alemã. O 718 permaneceu na categoria até o ano de 1964, sendo pilotado pelo piloto particular, o conde holandês Carel Godin de Beaufort, vítima de um acidente fatal a bordo do 718 durante o Grande Prêmio da Alemanha de 1964, realizado no circuito de Nürburgring, o conhecido Inferno Verde.
O conde holandês Carel Godin de Beaufort no comando do 718, uma paixão fatal. carelgodindebeaufort.nl
  No ano de 1962, a Porsche estrearia seu carro que ao contrário do 718, era um projeto único para a Fórmula 1, agora com motor de 8 cilindros contrapostos, 4 no modelo anterior, o deslocamento dos cilindros era o mesmo, 1,5 litro. Era o 804, seu motor produzia 180 cv a 9200 rpm, pouco para o padrão atual porém, o carro pesava apenas 452 kg e chegava a velocidade máxima de 270 km/h. Pilotado por Dan Gurney. Em 1962 a Porsche ficou em quinto lugar no Mundial de Construtores e Pilotos, tendo chegado ao ponto mais alto do pódio no Grande Prêmio da França.
Porsche 804 garantiu o Campeonato de Construtores de 1962 para a marca. f1fanatic.co.uk
  Após 21 anos longe das pistas de Fórmula 1, a Porsche voltaria a categoria como fornecedora de motores para a McLaren entre os anos de 1984 e 1987, neste período o motor da montadora alemã conquistou três campeonatos de pilotos, em 1984 com Niki Lauda e Alain Prost em 1985 e 1986, além dos campeonatos de Construtores de 1984 e 1985; Os motores TAG-Porsche fazem parte da primeira era turbo da F1, denominado TTE PO1 o V6 tinha a mesma cilindrada de seus antepassados, 1,5 litro porém, os números de potência eram surreais, na temporada de 84, os motores rendiam até 750 hp nas corridas e 800 hp nos treinos, curiosamente em 87, o mesmo motor desenvolvia até 850 hp na corrida e 1060 hp nos treinos, mas números não garantem conquistas, no último ano com motor TAG-Porsche a McLaren não conquistou nem o campeonato dos construtores.
McLaren MP4/2 de Niki Lauda no GP de Dallas de 1984, anos de glória do motor TAG-Porsche. upload.wikimedia.org
  A terceira fase da Porsche na Fórmula 1 é talvez a menos conhecida, o ano era de 1991, e mais uma vez a montadora alemã entrava como fornecedora de motores para uma equipe hoje praticamente esquecida, a Footwork, na verdade Arrows-Footwork após a compra da equipe pelo empresário japonês Waturu Ohashi. Devido ao baixo orçamento, o motor Porsche não era competitivo, conquistando apenas um ponto para equipe que após 6 corridas trocou o motor alemão pelo Ford Cosworth, o que não garantiu sucesso à equipe.
Footwork-Arrows, após 6 corridas na temporada de 1991 o motor Porsche era abandonado pela equipe. racecarsdirect.com
  Há alguns anos o Grupo Volkswagen, do qual a Porsche faz parte, demonstrou um forte interesse de entrar com uma equipe de Fórmula 1 nos próximos anos, certamente a Porsche brigaria por representar o grupo que ainda detêm marcas de prestígio automobilístico como Audi, Bentley e Lamborghini. Com o escândalo da fraude em sistemas anti-poluição, o Grupo VW passa por uma intensa reestruturação, inclusive podendo se desfazer de algumas marcas para quitar multas com entidades governamentais, caso o grupo leve adiante  a entrada na F1, seria interessante ver um embate da Porsche contra Ferrari e Mercedes.

sábado, 9 de abril de 2016

Flagras: Pontiac Solstice

  Quando andamos pelas ruas, não fazemos ideia do que veremos. Alguns flagras do cotidiano deixa qualquer apaixonado por carro  em êxtase, seja por sua raridade, a beleza ou pela novidade. Produzido entre os anos de 2006 e 2010, o Solstice da extinta Pontiac é um pequeno roadster que chama atenção, suas dimensões diminutas, as rodas de 18 polegadas preenchem as caixas de roda, seu design ainda hoje é contemporâneo mesmo que por muitas vezes passe desapercebido pelos leigos.
  O Solstice é baseado na plataforma Kappa da GM, era na verdade uma versão do Opel GT assim como a Saturn Sky. Equipado sempre com motor 4 cilindros Ecotec o roadster entrega potência de 132 cv na versão 2.0 e 177 cv na 2.4, números modestos para um carro de visual agressivo, pesando 1305 kg, o modelo fica interessante na versão GXP que trazia o mesmo motor 2.0 equipado com turbocompressor, fazendo a potência saltar para os 260 cv, A tração traseira garante a diversão para quem dirige o Jazz, personagem que o carro incorpora junto aos Autobots no filme Transformers de 2007.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Novidades para o blog em breve

  Este blog não esta abandonado, mas ultimamente ando recebendo menos atualizações. Esse projeto convive junto com tantos outros que, muitas vezes apesar da paixão de escrever sobre carros, o autor tem que abrir mão desse espaço e se dedicar a outras coisas, afinal é um blog amador e que foi se moldando com o tempo.
  Enquanto as atualizações cessaram, foi pensada para o blog algumas novidades quanto as postagens, além de criar seções fixas, ainda facilitará a navegação através das tags criadas e do pré-titulo das postagens, esses vão focar exatamente no assunto abordado na postagem, a espera é de um bom resultado, mas como quase sempre, as coisas aqui vão acontecendo de forma gradativa com a intenção de sempre melhorar a experiência do leitor.
  As seções por hora serão as seguintes:
  • História ilustrada: Esse blog nasceu como uma espécie de vitrine de desenhos, com o tempo, os desenhos passaram a ilustrar uma breve história dos modelos ali ilustrados, portanto é a seção que mais se parece com a proposta inicial desse espaço;
  • Transito e mobilidade: Sempre que o assunto abordado for sobre algo que envolva o trafego e seus meios de transporte, é uma vertente que tem crescido por aqui, é um assunto mais amplo que acaba como consequência envolvendo outros assuntos que fogem da temática automotiva;
  • Mercado e seus mistérios: Será abordado assuntos referentes ao mercado automotivo e a forma como fatores externos podem afetar esse segmento econômico;
  • Cultura e comportamento; Assuntos que envolvam a cultura automotiva e o comportamento de quem compartilha a paixão por veículos, essa seção também contará com humor, afinal acaba se encaixando no assunto de alguma forma.
  Algumas seções podem ser mais frequentes que outras, seções novas podem ser adicionadas, mas tudo isso visa manter a característica de dinamismo, inovação e experimentação que sempre estiveram presentes no blog, muito em breve novas novidades podem vir a fazer parte desse projeto, como sempre, um enorme abraço aos leitores e para quem acaba caindo aqui por obra do acaso.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Livre mercado e o mundo automobilistico


Livre mercado, já faz um bom tempo que esse conceito vem tomando força pelo mundo, no mundo automobilístico não é diferente, o conceito pode ser aplicado do transporte público, passando pela distribuição de combustíveis e até mesmo na venda de carros novos ou usados. Antes de tudo, devemos explicar de forma breve esse sistema de comércio que é baseado nas trocas voluntárias, ao contrário do que muitos pensam, você não concede benefícios para grandes corporações com esse sistema, mas permite que outras pessoas ou empresas menores possam usar de sua inovação, qualidade ou atendimento como artifício de conquista de potenciais consumidores, sendo um padrão a livre concorrência, aliás, essa liberdade deve ser também adotada na relação empregado/empregador, já que ambos chegariam a um consenso quanto ao valor pago pelo trabalho. Claro que as leis trabalhistas nesse caso seriam simplificadas, há alguns dias atrás no Jornal da Noite, uma reportagem dizia que um empregador chega a pagar para os cofres públicos 60% do que paga para um funcionário, algo fora do real que diminui a oferta de empregos, mas isso é assunto para outra postagem, vamos voltar ao foco da postagem.
  Existem 2 tipos de transporte, o público e o privado, ambos se dividem entre individual e coletivo. No transporte público individual, temos o táxi como o dominante dessa categoria, o táxi não deixa de ser um veículo muitas vezes provado, porém, a padronagem da pintura e o alvará ($$$$), que concede o direito ao taxista exercer a função de transportar passageiros. No contra ponto, temos o Uber, uma empresa privada, onde ao cumprir as exigências o motorista utilizando um aplicativo é contatado por clientes previamente cadastrados, o Uber segue o conceito de livre mercado, uma vez que o motorista deve pagar apenas o que foi combinado no contrato para a empresa, tanto que cliente e prestador de serviço são avaliados e podem ser desligados do serviço caso não cumpram com o combinado. O Uber aposta ainda no serviço de maior qualidade quando comparado ao táxi, uma vez que o seu diferencial esta ligado a cordialidade no atendimento e limpeza do veículo, já os profissionais com alvará, porem acomodados que prestam em sua grande maioria um serviço péssimo, preferem recorrer ao Estado ou como tem sido mais recentemente a violência. Mas todo mundo sabe, que quando a concorrência incomoda, você deve no mínimo equiparar o seu serviço ao da concorrência, afinal, assim o mercado de alto regula e o consumidor escolhe aquilo que satisfaz suas necessidades e não adere a algo que seja imposto e exclusivo.
  Quando passamos a pensar sobre combustíveis, temos uma situação ainda pior no país, um monopólio, mas não um monopólio qualquer, ele é mantido pelo Estado. A BR Distribuidora detêm no Brasil a exclusividade na distribuição de combustíveis em todo território brasileiro. Uma subsidiária da Petrobras, no fim, você tem o direito de escolher o posto em que vai abastecer pela bandeira, mas é apenas isso que muda, os combustíveis são exatamente o mesmo em todos lugar, salvo quando há adulteração na gasolina que já é de péssima qualidade. A liberdade de mercado nesse caso, seria a livre concorrência, onde a empresa estatal (o Estado não deve ser empresário, mas enfim), seria apenas mais uma na briga pelo consumidor, devendo manter seus preços competitivos e sua gestão impecável, afim de se manter interessante para os consumidores diante a concorrência. Esse monopólio atual não dita apenas o preço dos combustíveis, mas do transporte que depende muito desse insumo, os derivados de petróleo com o preço em queda livre em todo mundo, aqui lesa ainda mais o brasileiro nesse momento de crise, já que sem concorrência somos nós quem iremos pagar o rombo da Petrobras, algo que não existiria com o livre mercado, a empresa errou? Sinto muito, que feche as portas ou arque com o prejuízo, mas o mercado restrito acaba estimulando esse tipo de comportamento, onde os verdadeiros culpados saem por cima e o consumidor final é quem paga pela incompetência.
  Sua intenção é comprar um carro zero quilometro, você tem uma sensação de liberdade quando vai escolher a marca e o modelo, porém na realidade, não existe liberdade alguma. Todas as montadoras mantêm os seus carros de uma mesma categoria com preço similares, sem contar que se a opção por um importado da mesma categoria o preço cobrado sera um verdadeiro absurdo, já que existe no Brasil um protecionismo exagerado quanto a entrada de produtos importados, sempre com um único ideal, proteger a industria nacional, mas será que precisamos mesmo dessa proteção? Ou devemos fazer com que a livre concorrência aumente a qualidade dos carros produzidos aqui? A segunda opinião é sempre a mais sensata, sem contar que temos uma carga tributária massacrante e as empresas aqui instaladas pagam encargos trabalhistas absurdos, isso explica muito o preço dos carros nacionais que muitas vezes custam mais aqui do que em mercados que compram o mesmo carro fabricado aqui, como por exemplo o México. Outro exemplo seria a liberdade de comprar veículos usados em bom estado de outros países, desde que os mesmos estejam em boas condições, sendo extinta a regra dos 30 anos de fabricação.
  O livre mercado, estimula a inovação, ajuda o consumidor a encontrar o que melhor lhe atenda quanto a escolha de um produto ou serviço, liberdade econômica não é libertinagem, mas é apenas o comércio que deve seguir algumas poucas regras, como a não venda de algo ilícito ou que possa ser danosa a terceiros, toda a transação comercial deve ser feita da forma mais transparente possível, afim de não deixar dúvidas ou brechas na operação, afim de ser algo realmente feito por vontade mútua e nas condições que não ferem o bolso de ambos os lados.
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